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CFA Society, Endeavor e o porque o brasileiro não é empreendedor de fato.

Olá, pessoal, como estão ? Gostaria de falar hoje sobre uma tremenda contradição na cabeça de milhões de brasileiros : a de que nos achamos empreendedores. Pra mim, isso não é verdade e vou tentar defender minha tese com fatos quotidianos e tb milestones de parcerias que eu vi fracassar.

No meu modo de ver, o empreendedorismo começa com um expertise. Esse expertise deve ser seguido de paixão e tb de uma boa dose de capacidade de tomada de decisão e conforto com o risco. Depois disso, o empreendedorismo só floresce se for acompanhado de parcerias sólidas onde as partes compartilham de expertises diferentes, mas de mesmos objetivos. Vou dar um exemplo básico : não adianta vc querer ser parceiro de alguém que contenta-se em elevar a empresa em que ela atua a um patamar que não condiga com o patamar ao qual vc quer levar a sua. Explico : o mais importante na vida de todos acaba sendo os objetivos de caráter pessoal e eles nortearão onde vc quer chegar e por conseguinte onde vc quer levar sua empresa ou nível de serviços, dedicação e relacionamento para que a empresa ofereça a vc e a sua família o que vc precisa para se sentir confiante, feliz e o mais importante, produtivo. Cuidado ! Com a parceria errada, por menos que ela influencie seu crescimento, vc se verá frustrado por não ter do outro lado alguém que queira travar lutas tão acirradas qto as que foram acordadas no início da relação. Portanto, sempre procure saber quais os objetivos pessoais de seus futuros parceiros. Lembre-se : grandes negócios não são fechados por causa de um business plan maravilhoso e sim por uma grande tacada seguida de um belo papo no campo de golfe.

Ok, a partir dessa premissa, vamos voltar ao empreendedorismo que eu julgo ser uma carência do brasileiro. É fato que o brasileiro abre negócios a rodo. É um dos países que mais empreende no Mundo. Se vc ainda for contar a burocracia, impostos, violência, corrupção...ufa! O brasileiro é um leão no empreendimento. Ok, mas quem de fato está empreendendo ? Olha, geralmente o brasileiro de instrução média que tá de saco cheio do trabalho e sabe que por pior que seja o seu novo negócio ele tem mais chances de crescer, fazer seu próprio horário e até ganhar mais, ou seja, o cara que tá empreendendo por que não tem opção de felicidade em uma corporação. Esse brasileiro geralmente não tem instrução intelectual suficiente para conduzir bem um negócio e na esmagadora maioria vai à falência. Uma de minhas teses portanto é que o brasileiro que empreende geralmente é aquele que terá um negócio sem expressão significativa a ponto de tornar seu negócio nacional em 10 anos e internacional em 20.

Quem deveria empreender então ? Óbvio. Os executivos, homens de negócios e altos funcionários das corporações. Porém, o que se vê, é que esses dificilmente tornar-se-ão donos do seu próprio produto ou serviço. A maioria tb empreende por falta de opção. Assim não se constrói uma grande Nação. No máximo esse pessoal constrói grandes carreiras corporativas. Muitas vezes não. Claro que a culpa é sempre da família e da estabilidade que o emprego lhes oferece. Mas o fato é que a culpa está na falta de qualidade do brasileiro de alta instrução e experiência superior em desenvolver uma personalidade que saia das cercanias do coleguismo corporativo e vá para o campo de atividades que gerem empregos, impostos ao País e visibilidade econômica externa de uma camada de executivos gabaritados e intelectualizados que criam empresas que competem com os grandes e assim tornam-se grandes. Como uma vez eu ouvi do dono do Stonyfield dizer : "...eu notei que deveria bater os gigantes do meu setor para criar uma nova cultura de alimentação nos EUA e numa dada época percebi que isso só aconteceria se eu me tornasse gigante tb." Pois é. Poucos executivos querem largar o "conforto" de seus micro escritórios e o dia a dia previsível. Portanto, uma outra tese seria : o brasileiro que tem gabarito para empreender e tornar a empresa algo que seja considerado um real diferencial no mercado está deverasmente acomodado em seu emprego. Cuidado ! Qtos ex alunos de Wharton que foram com tudo pago pela empresa fazer MBA na primeria metade da década passada, voltaram para trabalhar no mesmíssimo local e função e agora estão desempregados que vc conhece ? Nenhum ? Eu conheço 12. Apesar de que todos eles dizem que estão em transição de carreira ou self employed. Meu Deus! Coloque no Linkedin. Quero um emprego. O problema lá atrás não foi o MBA e sim a volta. Supostamente um MBA é para mudar 3 coisas em vc : local, indústria e função e vc não mudou nenhuma delas com seu MBA.

Ok, dado que quem empreende no Brasil majoritariamente é desqualificado academica e intelectualmente e quem deveria empreender não quer por comodismo, eu aponto que o brasileiro tem verve de empreendedor se nada mais resta a ele em ambos os casos e tb em ambos os casos ele quer mesmo é ter um emprego de destaque ( mais do que bom salário e boas condições) e larga qualquer empreitada por esse fator.

Antes de irmos aos exemplos, preciso unir o fato do brasileiro não ser de fato empreendedor ao consequente fracasso nas parcerias corretas e necessárias para que o empreendedorismo realmente ocorra no Brasil. Como disse antes, um dos pontos nevrálgicos do crescimento de empresas são as parcerias que elas conseguem. A maioria das pessoas não percebem que as parcerias em empresas brasileiras se formam apenas por oportunidades de ocasião e não têm longevidade alguma e nunca darão solidez ao crescimento prolongado que uma empresa precisa para se destacar e sobreviver. Isso acontece, como disse anteriormente, porque o brasileiro está no empreendedorismo por falta de opção empregatícia e não quer que algo penoso como o empreendedorismo lhe tome mais tempo em construção de valor do que ele imaginava e a construção de valor só vem com a parceria de clientes fortes e empresas associadas à sua, sejam como prestadoras de serviços, fornecedores ou consultoria. Ok, mas temos uma saída. Contratar esses serviços para ajuda-lo a crescer e atender ao cliente. Sim, mas isso é o trivial, é o que acontece no Brasil, mas não é o que acontece nos países desenvolvidos. Nos EUA vc tem o Governo como seu principal aliado, os bancos e seus juros torcendo por vc, apesar de carecer de processos regulatórios claros e presentes. Na Europa as estradas te ajudam, o escoamento portuário e as Universidades. No Japão a inovação tecnológica conversa todos os dias com o Vale do Silício e os trens querem que vc chegue rápido. Na Korea 17 mil jovens todo o ano prestam o TOEFL e tb viajam para fazer pós graduação fora. Já no Brasil, a Vale não tem sequer um alto funcionário estrangeiro ou que sequer trabalhou em mercados multiculturais. A Vale só é o que é porque nenhum País desenvolvido vai ser tão burro de ter um gigante delapidando as riquezas naturais de sua terra em troca de dinheiro recebido por commodities. Deixem que o Brasil fornece isso e o BNDES dá o dinheiro todo de nossos impostos pra eles. Ou seja, a parceria começa com uma infra estrutura de apoio muito pesada. Se vc canta bem e nasce na Bahia vc tá feito, mas se vc nasce em Joinvile provavelmente vc não vai dar em nada. Mude-se para a Bahia e adquira o sotaque. Vamos para o microcosmo : no Brasil, o dia a dia das empresas e o comportamento dos executivos é de total falta de empenho em fornecer infra estrutura à outras empresas ou mesmo a quem está tentando um novo negócio. Parte por inveja burra e parte por falta de qualidade de discernimento. Exemplo 1: A MBA House foi indicada por uma ex aluno nosso que fez o Sloan de Stanford para tentar ajuda na Endeavor do Brasil. Bem, tirando o fato de que a Endeavor do Brasil é uma tentativa falida de investment bank, o que mais me chamou a atenção porém é a idade e qualidade dos avaliadores. São garotos de menos de 25 anos que nunca trabalharam na vida a não ser lá. Um deles falou que a MBA House não tem escala e nunca terá receita que justifique a ajuda deles. Não que a quiséssemos, mas, uma empresa que trabalha com o GMAT, um produto Mundial e em menos de 2 anos de existência já abre filial em NY !!! Se não teremos escala Mundial e ainda um profit zone de mais 40% com o admissions consulting, não sei quem terá. O mais curioso é que durante a conversa ele disse que uma empresa pra dar certo precisa crescer a mais de 8% ao ano por pelo menos 10 anos. Pensei que isso era pra País. Mesmo porque a MBA House com 3 anos de existência cresce a 28% ao ano em renda líquida. Ok, um dia ele verá que a notoriedade que prometeram pra ele por trabalhar na Endeavor é só realmente, notoriedade. Bem, o mais importante é que, muita gente conta demais com a Endeavor do Brasil e não tem nem chance de expor o trabalho por falta de qualidade de avaliação do pessoal de frente. Meu Deus. Isso é muito grave. Mais uma vez quem não tem um pingo de veia empreendedora podendo definir o futuro de vários empreendedores. Os resultados da Endeavor do Brasil são medíocres e risíveis. Vasculhe as empresas que eles auxiliam e verá sempre que, alguém do board é amigo do diretor ou dono da empresa escolhida a ser auxiliada. Tem um programa aqui nos eu que se chama : Shark Tank. São investidores que avaliam pessoas que vêem com os produtos mais inusitados, fazem ofertas, competem entre si e transformam os pordutos em febre nacional. Procure no Google o programa, mas mais importante : procure o nome dos avaliadores e veja o portifólio deles na internet. Teria orgulho de apresentar a MBA House a eles. Não se esqueça porém que é apenas um mero programa de TV. Imagine o que de fato acontece em Wharton, Insead e Stanford.

Bem, o segundo exemplo é o da CFA Society do Brasil. A MBA House tentou lançar esse semestre um curso de CFA com um objetivo bem claro. Quebrar de vez a capenga FK Partners. Estava no Brasil naquela época e convidei candidatos a professor para um bate papo de alinhamento. Consegui seis pessoas. Curriculo invejável de todos. Bem, não consegui montar o curso. Antes alguns diferenciais : a MBA House é a única que tem um sistema de transmissão de aulas em tempo real para o Brasil todo e as aulas ainda ficam gravadas no servidor, além de um sistema de plantão de dúvidas. O mesmo seria oferecido para o CFA. Imbatível. Bem, o fato é que os professores, lá por Fevereiro começaram a desistir do projeto que só os tomaria 20 horas por semestre e os remuneraria 6 mil reais por essas 20 horas. Ok, sem problemas. Eu entrei em contato com o Presidente da CFA Society do Brasil e pedi ajuda para arrumar professores. Uma simples propaganda. Ele respondeu dizendo que não tinha ninguém de cabeça para indicar. Oras, meu caro, eu não queria indicação, queria que vc disparasse um email para o mailing da CFA Society do Brasil oferecendo EMPREGO. Bem, logo depois percebi minha ingenuidade. O Presidente do CFA Society do Brasil é professor e diretor de um curso de CFA dado no AMBIMA. Meu Deus, pensei. Taí a falta de visão empreendedora mais uma vez do brasileiro corporativo em prol da articulação de elementos que protegem apenas aos colegas e a sí mesmo. A MBA House vai faturar com seu futuro curso de CFA 800 mil reais ano e terá um braço do curso em nossa filial em NY e esse start está sendo retardado por não acharmos professores e não achamos professores porque não temos ajuda do CFA Society do Brasil. O Motivo da não ajuda fica a cargo de vcs leitores avaliar. Tá tudo na internet, basta vcs cruzarem os dados.

Gente, isso não acontece só comigo. Acontece nos centros acadêmicos das Universidades, nas empresas 100% brasileiras, no clube em que vc é sócio, nas filantropias. No dia a dia do Brasil. O clientelismo, o coleguismo usurpando a livre concorrência e o empreendorismo que é orfão de termos claros de implementação e agilidade de negócios. Vc que está fazendo curso de CFA na FK ou na AMBIMA está recebendo algo muito aquém do que a MBA House vai oferecer e isto porque não temos ajuda do órgão que prioritariamente deveria fomentar vendas do teste e mais pessoas sendo aprovadas para engordar a máquina Mundial do CFA. Claro que estou com uma representação no CFA daqui de NY sobre o caso. Mas o fato é que aqui eles não acreditam que o Presidente do CFA do Brasil não ajudaria uma escola que está tentando montar um curso de CFA. Tem algo errado na minha história.

Final : o Brasil carece de empreendedorismo porque o empreendedorismo basicamente se desenvolve com parcerias estruturadas, pois não se pode pagar por tudo. É preciso apoio do Governo e qdo ele não vem, apoio das empresas que são as reguladoras do mercado, sem clientelismo e com agilidade de decisões que seguem regras claras em documentos transparentes e de fácil entendimento.

Um abraço a todos.

Marcelo Ambrózio Ramos.

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Tags: CFA, Endeavor, House, MBA, Society

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