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A maioria dos brasileiros que estão terminando agora cursos de MBA no exterior já tem destino certo: eles vão voltar pra casa. Pesquisa da consultoria GNext Talent Search com alunos do último ano de 12 dos 25 programas de MBA mais bem avaliados no mundo pelo ranking do jornal Financial Times revela que 82% retornarão ao Brasil em 2009. O principal motivo para tomar a decisão de regressar ao país, segundo 75% dos alunos, foi a existência de oportunidades melhores no Brasil, na comparação com o mercado internacional.
O Brasil já era considerado uma terra de oportunidades antes da crise. Mas o cenário de recessão mais profunda lá fora foi determinante para tornar a economia brasileira, mesmo em época de retração, bem mais atrativa que os Estados Unidos e os principais países europeus. E a expectativa de 79% dos brasileiros cursando MBA no exterior é incrementar a remuneração anual em até 160% após a conclusão do curso.
- Não foi só o Giba que decidiu voltar para o Brasil - brinca a sócia da consultoria GNext Juliana de Lacerda, referindo-se ao jogador de vôlei que deixou a Europa depois de oito anos e assinou contrato com o clube Pinheiros.
De acordo com a consultora, especializada em "caçar" jovens executivos, é puro mito a idéia de que não há lugar no Brasil para os talentos superqualificados:
- As consultorias e instituições financeiras sabem muito bem trazer esses profissionais de volta. Algumas indústrias também já sabem, e a maioria está aprendendo. Algumas empresas têm programas específicos para contratação de quem está terminando o MBA no exterior - destaca.
As propostas de trabalho começam antes de o curso terminar. Depois de dois anos em Boston, a cearense Carla Pontes, de 27 anos, voltou há duas semanas para o Brasil, trazendo na bagagem o diploma de MBA da Universidade de Harvard. Ela conta que recebeu três convites de empresas brasileiras antes de concluir o MBA.
- Os contatos iniciais são por e-mail ou por telefone. A faculdade tem um livro com os currículos dos alunos. Há um centro de carreira, e as empresas podem comprar o acesso a esse livro - explica.
Formada em administração de empresas na Fundação Getulio Vargas em São Paulo, ela diz que os cinco anos de experiência profissional e de vivência do mundo corporativo foram fundamentais para aproveitar bem o curso em Harvard. Por lá, aprofundou-se nos estudos de finanças e de estratégia. E foi avaliando estrategicamente o cenário econômico mundial que ela decidiu voltar para o Brasil.
- A família influencia, mas não foi o fator principal para eu tomar a decisão de ficar no Brasil. Realmente acredito que, para mim, as melhores oportunidades estão aqui. O Brasil tem problemas sérios, mas tem muito potencial. Quando decidi fazer o MBA, o mercado estava quente, as perspectivas eram excelentes, as bolsas do mundo inteiro estavam subindo sempre, e os países emergentes crescendo muito. Mas já no primeiro semestre de curso veio o começo da crise - lembra.
Experiência profissional antes de MBA no exterior
A pesquisa da Gnext mostra também o perfil dos brasileiros em programas internacionais de MBA na Europa e nos Estados Unidos. São dados que podem ajudar quem ainda está pensando em fazer o curso lá fora a bater o martelo. Saber se você está ou não dentro do perfil dos selecionados pode servir como um parâmetro a mais para definir o momento certo de se candidatar.
Por exemplo: segundo o estudo, ninguém foi fazer MBA no exterior antes de ter pelo menos três anos de experiência profissional no currículo. Essa é uma exigência feita por muitas das instituições. Os alunos com 5 a 7 anos de carreira antes do curso são maioria, 41%. Outros 34% já tinham trabalhado entre 3 e 5 anos, 18% entre 7 e 10 anos, e apenas 7% estavam no mercado há mais de 10 anos.
Outro fator que gera dúvidas é a idade certa para o MBA. A maioria dos brasileiros no último ano do curso lá fora tem entre 25 e 32 anos de idade - apenas 11% fogem dessa faixa etária. Os alunos com 28 ou 29 anos são 39%. Do total, 42% ocupavam cargos de gerência antes de embarcar para a temporada de estudos.
Para 14% dos estudantes, o MBA foi a primeira experiência internacional, mas 79% dos alunos brasileiros já haviam trabalhado ou estudado no exterior em alguma outra oportunidade. O curso foi pago com recursos próprios ou da família em 73% dos casos, e 32% tiveram algum patrocínio do empregador.

http://oglobo.globo.com/educacao/mba/mat/2009/06/26/apos-mba-no-ext...

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